Quem Sou Eu
Meu nome é Macel Vanger, mas quase todo mundo me chama de Mal.
Sou psicólogo formado pela Universidade UDF, onde concluí minha graduação com Cum Laude, uma distinção acadêmica concedida em reconhecimento a um desempenho de destaque ao longo da formação. Também tenho pós-graduação em Psicologia Cognitivo-Comportamental e especialização em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), ambas pela Faculdade Metropolitana, além de um mestrado em Direito Internacional em Resolução de Conflitos pela Independent College, na Irlanda.
Minha relação com a Psicologia começou muito antes da escolha pela profissão. Sempre tive uma grande curiosidade sobre o comportamento humano e sobre as razões que fazem cada pessoa enxergar e experimentar o mundo de uma maneira diferente.
O que despertou meu interesse de forma mais profunda foi observar como as pessoas podem ser tratadas de maneiras muito diferentes simplesmente por não se encaixarem naquilo que a sociedade considera esperado seja por sua sexualidade, religião, origem, raça ou pela maneira como escolhem viver suas vidas. Comecei a me perguntar não apenas por que as pessoas agem como agem, mas também como o ambiente em que vivemos influencia nossa identidade, nossas relações e a forma como enxergamos a nós mesmos.
Antes de escolher a Psicologia, considerei caminhos bastante diferentes. Gastronomia, estudo de Idiomas e Psicologia foram algumas das áreas que despertaram meu interesse. No fim, percebi que havia algo em comum entre elas: minha curiosidade pelas pessoas e minha vontade de compreender, ouvir e contribuir de alguma forma.
Sempre tive facilidade em ouvir os outros e uma tendência natural a ajudar. A gastronomia continua sendo uma paixão minha cozinho por prazer sempre que posso assim como aprender idiomas e conhecer outras culturas. Com o tempo, passei a perceber que essas experiências também podem ocupar um lugar importante na nossa relação com nós mesmos e com o mundo. Nossas atividades, interesses, relações e experiências podem se tornar formas de expressão, conexão e construção de identidade.

Experiência Profissional
Ao longo da minha trajetória profissional, tive a oportunidade de trabalhar com pessoas em diferentes momentos de suas vidas e diante de demandas muito distintas.
Entre as questões com as quais tive contato estão transtornos alimentares, como anorexia e bulimia nervosa, ansiedade, dificuldades conjugais e familiares, alienação parental, questões financeiras e sociais, experiências relacionadas à imigração, questões étnicas e culturais, pessoas LGBTQIA+, comportamentos compulsivos e questões relacionadas à sexualidade.
Também tive experiência na área de Recursos Humanos, atuando como consultor e trabalhando com processos de seleção, avaliação de pessoas e questões relacionadas às relações profissionais.
Essa diversidade de experiências reforçou algo que considero fundamental na Psicologia: não existe uma pessoa fora do contexto em que ela vive. Nossas experiências, relações, cultura, história, condições sociais e circunstâncias atuais participam da construção daquilo que somos e da maneira como lidamos com nossas dificuldades.
Transtornos Alimentares
Os transtornos alimentares são uma área que acabou se tornando especialmente importante para mim.
Trabalhei tanto individualmente quanto em grupos com pessoas que enfrentavam anorexia e bulimia. Meu interesse por essa área também tem uma história pessoal no qual eu mesmo passei por um período em que vivi com bulimia, de inicio eu vivi anos sem perceber, até que o comportamento disfuncional estava a trazer prejuizos a minha saude, Porém com terapia e o apoio de pessoas próximas, consegui sair daquele momento e reconstruir uma vida que fizesse sentido para mim.
Essa experiência acabou mudando a maneira como eu enxergava os transtornos alimentares. Eu percebi que, muitas vezes, aquilo que aparece como um comportamento alimentar é apenas uma parte de uma história muito maior.
E foi justamente por ter vivido isso que surgiu em mim uma vontade muito forte de trabalhar com outras pessoas que estivessem passando por algo parecido. Não porque acredito que a minha experiência seja igual à de outra pessoa, mas porque ela me fez olhar para essas questões com uma curiosidade e uma sensibilidade ainda maiores.
Hoje, quando penso nesse tipo de trabalho, não penso apenas em comida ou peso. Penso na pessoa por trás desses comportamentos, na forma como ela se enxerga, nas experiências que viveu e nas coisas que talvez ainda não consiga colocar em palavras. Para mim, compreender um transtorno alimentar é também compreender a história daquela pessoa e o lugar que o corpo, a comida e o controle passaram a ocupar dentro dela.
Outras experiências
Ao longo da minha trajetória profissional, também desenvolvi um trabalho voltado à população LGBTQIA+ e às suas famílias. Como uma pessoa LGBTQIA+, também conheço, em minha própria trajetória, alguns dos desafios que podem acompanhar o processo de se reconhecer, compreender e assumir a própria sexualidade. O medo da rejeição, a insegurança sobre como a família irá enxergar essa pessoa depois da revelação e o receio de perder vínculos importantes podem tornar esse processo especialmente delicado.
Na minha prática profissional, acompanhei pessoas que estavam vivendo diferentes momentos desse processo, desde a autodescoberta e a compreensão da própria sexualidade até as dificuldades relacionadas à aceitação, aos conflitos familiares e às experiências de preconceito e trauma.
Também trabalhei com famílias que precisavam compreender e ressignificar preconceitos, expectativas e crenças relacionadas à orientação sexual de seus filhos ou familiares. Em muitos casos, o processo terapêutico envolvia justamente desconstruir ideias que haviam sido aprendidas ao longo da vida e abrir espaço para uma relação baseada em maior compreensão, respeito e aceitação.
Outro aspecto que esteve presente nesse trabalho foram os conflitos entre sexualidade, fé e valores familiares. Para algumas pessoas, crenças religiosas e estruturas sociais profundamente marcadas pelo patriarcado podem contribuir para sentimentos de culpa, vergonha e repressão da própria sexualidade. Nesses casos, o trabalho não consistia em questionar a fé ou as crenças da pessoa, mas em ajudá-la a compreender os conflitos que essas ideias poderiam estar produzindo em sua relação consigo mesma e com sua sexualidade.
Minha própria vivência como pessoa LGBTQIA+ me permite compreender algumas dessas questões de uma perspectiva pessoal, mas é a escuta profissional que orienta meu trabalho. Meu objetivo sempre foi oferecer um espaço seguro para que cada pessoa pudesse compreender sua própria história, questionar padrões que lhe causavam sofrimento e construir uma relação mais saudável consigo mesma e com as pessoas ao seu redor.
Essa experiência também me levou a participar de discussões públicas sobre os desafios enfrentados por famílias diante da orientação sexual de seus filhos. Meu trabalho na área foi mencionado pelo jornal BSB Capital na matéria “Meu filho é gay, e agora?”, que aborda justamente os conflitos e questionamentos vivenciados por famílias nesse processo.

